SEMINÁRIO QUEIROSIANO 2022

150.00

A Comida e o Vinho na Obra de Eça e no Panorama Oitocentista Europeu

18 a 22 de Julho de 2022

  • Número limitado de inscrições;
  • Data limite para inscrição: 14 de Julho de 2022;
  • O valor da inscrição inclui almoço – 2ª a 6ª;
  • Confere Diploma no final do Curso.

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Descrição

XXIII SEMINÁRIO QUEIROSIANO

A Comida e o Vinho na Obra de Eça e no Panorama Oitocentista Europeu

18 a 22 de Julho de 2022

Introdução/Objetivos

Eça de Queiroz realiza, na sua obra literária, afrescos de grande valor icástico da realidade social portuguesa da segunda metade do século XIX.

Um elemento que caracterizava de maneira exemplar o hiato entre as classes abastadas e as desfavorecidas era, evidentemente, a alimentação. Em primeiro lugar, por uma óbvia questão económica: o proletariado urbano ou rural não tinha a possibilidade, se não esporadicamente, de trazer pratos elaborados para as próprias mesas; nas casas burguesas e aristocráticas, pelo contrário, a presença de tais alimentos não só estava disponível, como que constituía a norma diária. Em segundo lugar, a diferença de hábitos no sector alimentar dava-se pelo status social: mesmo nas casas ricas, onde, em teoria, haveria a possibilidade de submeter a mesma dieta a todos os habitantes, os criados consumiam alimentos mais simples em relação aos que eram reservados aos senhores; lembrar-se-á o horror que provava Julien Sorel à ideia de comer com os servos, na casa do prefeito, e a reprimenda que o pai lhe move de ser guloso; nele, ecoa a raiva de Juliana, que, em O Primo Basílio, anela a comida da patroa, Luísa. “La table” escreve Balzac em La cousine Bette, “est le plus sûr thermomètre de la fortune dans les ménages parisiens.”[1] Efetivamente, nos demais autores realistas e naturalistas europeus aparece o elemento gastronômico qual sinal distintivo social. Assim, em Eça, os sacerdotes de O Crime do Padre Amaro gozam duma mesa farta enquanto os pobres de Leiria passam fome, numa contraposição que chama à memória a injustiça representada por Zola, em Germinal, nas iguarias comidas pelos donos da mina e na escassez das mesas dos obreiros.

Além disto, os usos e as preferências alimentares caracterizam as personagens queirosianas: a sensual Leopoldina, ainda em O Primo Basílio, não sabe resistir ao bacalhau de alhada que o álgido marido lhe nega; nesta perspectiva, ela lembra muito de perto a flaubertiana Emma Bovary, que cobiça o alho, os gelados, as compotas, os xaropes e os licores doces.

Na sociedade portuguesa, aliás, o elemento alimentar e enológico tem uma função simbólica que se torna evidente quando se considerar um produto cultural extremamente significativo, a paremiologia.[2] Talvez por causa deste grande papel cultural, em Eça a culinária é descrita com maior cuidado em comparação com outros realistas e naturalistas europeus, e com um elemento adicional: o uso literário dos produtos típicos da gastronomia portuguesa. O ingênuo Cruges, em Os Maias, constrange-se por ter esquecido as queijadas de Sintra para a pedante mãe; o estrangeirado Fradique Mendes lamenta ironicamente o assado de espeto, já desaparecido das casas portuguesas como as demais velhas tradições, enquanto o infido Teodorico saboreia, às sextas-feiras, o bacalhau da prostituta que frequenta após ter aparentado, com a velha tia, ter comido apenas pão com água. O bacalhau, de resto, é a presença constante na mesa da casa da Misericórdia, em O Crime do Padre Amaro, e dos convívios da alta sociedade lisboeta em Os Maias, enquanto outra iguaria típica, o arroz, nas suas diversas formas de favas, de forno e doce, marcam a contraposição entre o luxo sem sabor de Paris e a simplicidade genuína portuguesa em A Cidade e as Serras.

A escolha de colocar nas mesas de seus personagens os pratos e os vinhos mais ilustres da culinária lusitana caracteriza Eça: o clero ganancioso, a burguesia das intrigas amorosas, a aristocracia antiga e intolerante, a antiquada intelectualidade tardiamente romântica que ele pretende derrotar, são “pratos típicos nacionais” tanto quanto o bacalhau, o arroz doce, os ovos com chouriço, o arroz de forno; tudo isto, acompanhado por um vinho verde ou uma “lágrima” de vinho do Porto, amarga e adocica ao mesmo tempo, como o estilo do autor.

[1] Honoré de Balzac, Œuvres complètes, Paris, Houssiaux, 1874, p. 49.

[2] Vd. Emma De Luca (coord.), Parla come mangi. Lingua portoghese e cibo in contesto interculturale (Viterbo, Sette Città, 2015). Temos uma coletânea de provérbios portugueses ligados à alimentação curada por Mariagrazia Russo onde se destaca o famoso “Quando o pobre come galinha, um dos dois está doente” evocado pela célebre frase no romance A alma dos ricos de Agustina Bessa-Luís: “Não é preciso ser rico para comer; é preciso ser rico para saborear”. Agustina Bessa-Luís, A alma dos ricos, Porto, Guimarães Editores, 2002, pp. 185-186.

Coordenação Científica

Orlando Grossegesse

Professores Convidados

Maria Serena Felici
Mariagrazia Russo
Giorgio de Marchis

SEMINÁRIO QUEIROSIANO 2022

150.00